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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - ESTRADAS - BIBLIOTECA
Pequeno histórico da Mayrink-Santos (9)

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Em 1962, foi publicado em Sorocaba/SP este livro de 200 páginas (exemplar no acervo do historiador santista Waldir Rueda), composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Editora Cupolo Ltda., da capital paulista (ortografia atualizada nesta transcrição):

Pequeno histórico da Mayrink-Santos

Meus serviços prestados a essa linha entre Mayrink e Samaritá

Antonio Francisco Gaspar

[...]


2ª PARTE - ESTUDOS E CONSTRUÇÃO
IX - Marco 0

Foi a 10 de outubro de 1927 que o exmo. sr. dr. Júlio Prestes de Albuquerque, governador de São Paulo, cravou, no quilômetro 19 da linha Santos-Juquiá, a Estaca 0, inicial da locação da linha que viria mais tarde ligar o litoral ao planalto, entre Samaritá e Mayrink, na Sorocabana.

Sendo secretário da Viação e Obras Públicas o exmo. sr. dr. José Oliveira de Barros e o diretor da E.F. Sorocabana o dr. Gaspar Ricardo Júnior, essa obra de formidável empreendimento e construção, arrojo de engenharia brasileira, foi logo atacada com afinco em todos os pontos da serra e planalto.

Durante longos anos ali estiveram à frente das pesadas obras de túneis, viadutos, cortes, aterros, bueiros e pontes, inúmeros engenheiros que souberam desempenhar os seus cargos com destreza e prontidão. Também mais de 20 mil operários, tarefeiros, empreiteiros, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, ferreiros, choferes, carpinteiros etc., etc., prestaram seus relevantes serviços, a fim de verem concluído esse importante empreendimento: ligar, por via férrea de simples aderência, Mayrink a Santos!

Nessa árdua tarefa de romper obstáculos na subida dessa impenetrável serra, a fim de que as paralelas de aço fossem assentadas com esmero e capricho em rampas de 1,1/2 e 2%; abertura de túneis, a maior parte em curvas, e confecção de vigas de cimento armado sobre grotas; abismos, córregos e rios, perderam a vida inúmeros trabalhadores, famílias, empreiteiros e até engenheiros.

A intensificação dos serviços da Mayrink-Santos, para a inauguração dessa linha no fim do ano de 1937, foi conseguida após árduos trabalhos.

Concluídas quase todas as obras de arte mais importantes da linha, foi feita a ligação dos trilhos na Ponte 4, S.20, próximo à futura estação Chapéu (hoje Engenheiro Ferraz), passando em primeiro lugar a locomotiva nº 280 que, saindo de Mayrink, chegou a Santos às 16 horas do dia 27 de novembro de 1937.

Dessa data em diante, achava-se o porto de Santos ligado no planalto à Sorocabana.

No dia 2 de dezembro de 1937 correu, entre São Paulo e Santos, via Mayrink, em viagem experimental, a primeira composição de passageiros conduzindo toda a administração da Estrada e os representantes da imprensa de São Paulo, do Rio e de Santos. Às 16 horas encontrava-se a comitiva junto ao pedestal - Marco 0 - (pátio de Samaritá), onde fora em 1927 cravado ali pelo então presidente de São Paulo, dr. Júlio Prestes.

O dr. Mário Souto, diretor da Estrada, foi quem dirigiu desde o inicio as obras da Mayrink-Santos. O seu nome, como o do dr. Gaspar Ricardo Júnior, o do dr. Ruy Costa Rodrigues e demais outros exímios engenheiros patrícios, estarão eternamente ligados a essa iniciativa que foi até ridicularizada nos primórdios anos de sua construção; problema de séria dificuldade, que muito serviu de argumento na imprensa paulista aos que no começo se opunham a esse arrojado tentamen.

Mas, mesmo assim, com tantos inesperados empecilhos, também devido a tempestades e copiosas chuvas de vulto, a Mayrink-Santos foi entregue ao tráfego.

Então, no dia 10 de dezembro de 1937, normalmente, começaram a correr nessa nova linha de acesso ao mar, trens de cargas, ficando assim iniciado o tráfego regular de trens de mercadorias.

Em 26 de julho de 1938 esta linha foi honrada com a visita dos exmos. dr. Getúlio Vargas, presidente da República; dr. Adhemar de Barros, interventor federal de São Paulo, suas exmas. famílias e com sua grande comitiva, o que esse acontecimento teve intensa repercussão na alta administração da Sorocabana e no meio ferroviário da Estrada.

Portanto, essa linha, durante 10 anos, foi levada avante, em meio de tantas dificuldades e vicissitudes de toda a ordem, mas, enfim, o governo venceu.

Hoje, é para a Sorocabana um motivo de orgulho poder ter sido concluído esse grandioso ramal, de tamanho vulto e progresso para o Estado de São Paulo.

A sua apreciável renda, que tem crescido desde a sua abertura ao tráfego, crescerá sempre para o futuro. Trará certamente para os cofres da Estrada milhares de cruzeiros, e o governo e ferroviários lucrarão com isso.

Salve pois a Sorocabana e a data do início da cravação do Marco 0 - 10 de outubro - 1927!...

Glória a todos os abnegados heróis que construíram a Mayrink-Santos!...

Saudosas homenagens póstumas aos que ali, no cumprimento de seus deveres, pereceram!...


O Marco 0 no pátio da Estação Samaritá, quilometro 19 da linha Santos a Juquiá
Imagem e legenda reproduzidas do livro


E.F. SOROCABANA
LINHA DE
MAYRINK A SANTOS
ESTACA INICIAL DA
LOCAÇÃO CRAVADA PELO
EXMO. SNR. DR. JÚLIO PRESTES
PRESIDENTE DO ESTADO
DE SÃO PAULO
SENDO SECRETÁRIO DA 
VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS O
EXMO. SNR. DR. J. OLIVEIRA DE BARROS
10 DE OUTUBRO DE 1927


(Dizeres que estão escritos na placa de bronze que se acha colocada no Marco 0 da linha Mayrink-Santos, no quilômetro 19 da linha Santos-Juquiá, estação Samaritá).

Samaritá, 16 de fevereiro de 1951
Antônio Francisco Gaspar.

[...]
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