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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - FUTEBOL - BIBLIOTECA NM
Os primeiros 60 anos do futebol paulista

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Clique na imagem para ir ao índice do livroEm 1956, o jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva - o De Vaney - participou de um concurso nacional de crônicas sobre esportes e conseguiu provar, com números e outros dados, que Santos era a cidade mais esportiva do Brasil. Exatamente nessa mesma época, ele começava a publicar em formato de folhetim diário, então muito comum na imprensa, a história das primeiras seis décadas de futebol no Estado de São Paulo. O material, colecionado, formava um livro de 108 páginas. A publicação ocorreu no jornal santista A Tribuna, de 25 de janeiro a 29 de fevereiro de 1956 (ortografia atualizada nesta transcrição):

60 anos de futebol em S. Paulo

De Vaney


[11] - Campos e estádios

O campo-berço do futebol brasileiro é a Chácara Dulley, mas quem escutou, pela primeira vez, o ruído do pique de uma bola foi a Várzea do Carmo. Ali, Charles Miller deixou cair ao solo brasileiro aquela bola que ele, juntamente com outra, trouxera de Southampton, onde disputara a sua última partida na Inglaterra.

Na Chácara Dulley, depois que de lá saiu o São Paulo Athletic, foi treinar o "Hans Nobiling Quadro", e mais atrás, na Chácara Witte, onde se instalou o Internacional, treinaram e jogaram também os elementos do Mackenzie, enquanto a melhor praça de esportes da cidade passava a ser a do São Paulo Athletic, na Rua da Consolação.

Isso até 1899.

Em 1900, o C. A. Paulistano adaptou o Velódromo (Rua da Consolação, entre as ruas Martinho Prado e Olinda) para jogos de futebol, e, em 1901, o Germânia arrendava um terreno no Parque Antártica, lá nivelando o seu campo.

Em 1903 coube a vez à A. A. das Palmeiras de jogar em seus domínios, no espaço compreendido entre as ruas Martim Francisco, Tatuí, Baronesa de Itu, Alameda Angélica, onde surgiu o primeiro campo palmeirense.

O Velódromo monopolizou, durante muitos anos, todas as atenções. Raros eram os jogos nos campos do Germânia (Parque Antártica) e Consolação (São Paulo Athletic).

Mais tarde, em 1914, o Velódromo foi obrigado a desaparecer. A urbanização da cidade assim o exigia.

A APEA, então, levou as arquibancadas do Velódromo para a Floresta, onde, ao lado, os jogadores corintianos estavam construindo seu próprio campo.

De 1914 a 1917 é a Floresta quem pontifica, com exclusividade, vivendo ali o futebol paulista as suas grandes tardes.

Em 1917, porém, surgem os campos do Parque Antártica, remodelados, e em fins desse ano inaugura-se a formosa praça de esportes do Paulistano, no Jardim América.

Mas a Floresta não perde a majestade. E é ali, até 1920, que se disputa a quase totalidade dos sensacionais choques das seleções de São Paulo e do Rio.

Com a Floresta, o Jardim América e o Parque Antártica, São Paulo está perfeitamente apto a suprir-se em acomodações ao público. O Parque Antártica, sempre se ampliando, é, porém, o cenário preferido para os grandes jogos, a partir de 1921.

O Ipiranga, o São Bento, o Sírio Libanês, a Portuguesa de Desportos, que substituíra o Mackenzie, possuem bons campos para jogar, e isso permite ao público o necessário conforto, aumentando-lhe, assim, as possibilidades do futebol paulista, como atração popular.

Em 1928, as instalações do Coríntians, no Parque São Jorge, adquirido ao Sírio, apresentam-se magníficas, e, na Moóca, o Juventus tem o seu campo na Rua Javari.

Em 1933,  patrimônio esportivo de São Paulo se enriquece com a construção e a entrega ao público do estádio do Parque Antártica, de propriedade do Palestra.

Parece que, com o estádio palestrino, o assunto da acomodação das platéias está resolvido. Mas o problema ressurge desde logo e imediatamente se apercebe que o impasse apenas foi adiado... O futebol paulista cresce de instante a instante. O interesse do público não tem limites. O Parque Antártica, em 1938, num jogo paulistas e cariocas, parece uma pequenina concha, em comparação com o oceano de gente que ali se quer alojar.

É quando São Paulo oferece ao Brasil - 1940 - um monumento de arte, de beleza arquitetônica e que dá a impressão, clara, de haver garantido ao futebol de São Paulo uma tranqüilidade quanto a acomodações, que deverá durar, pelo menos, 30 anos: o Pacaembu.

Não dura nada, porém, essa tranqüilidade. O estádio se abarrota, em 1942, e muita gente não pode ver S. Paulo x Coríntians, com a estréia de Leônidas da Silva.

Agora, São Paulo vai construir um novo estádio, com capacidade para 150.000 pessoas.

Por quanto tempo o problema estará solucionado?

***

Não para, não se detém, o futebol de São Paulo!

O pique da bola, tombada das mãos de Charles Miller em 1894, não foi o pique de bola, apenas! Aquilo foi batida de varinha mágica, de vara de condão!

E lá se vai, garboso, cônscio de seu valor, em busca de novos louros, o futebol de São Paulo.

***

O progresso, no futebol paulista, sob a direção da Federação Paulista de Futebol, não é um milagre, não é uma função, não é um organismo, não é uma constituição: é um destino a ser cumprido, e que se cumprirá sempre, ontem como hoje, hoje como amanhã e amanhã para todo o sempre!

 

Ilustração de J.C. Lobo publicada em A Tribuna com o texto

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